Para candidata a deputada estadual dedicada ao tema, estar atento a uma série de comportamentos e fazer as perguntas certas pode ser verdadeiro ato de salvamento
Quando considerada de forma mais ampla, a violência doméstica contra crianças e adolescentes em Goiás exibe números preocupantes. De acordo os dados consolidados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), os casos que envolvem agressão sexual, maus tratos, lesão corporal e violência psicológica contra crianças chegaram a 21 mil ocorrências 2024. Nesse contexto, perceber os sinais de violência que ocorreu dentro de casa é necessário, mas difícil.
Em vista desse quadro, os órgãos públicos mais diretamente ligados ao encaminhamento do tema prevêem uma série de orientações destinadas a identificar indícios fortes de violência cometida contra crianças e adolescentes em casa. De acordo com a jornalista e candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil), há uma série de procedimentos indicados pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) para identificar, averiguar inicialmente e procurar os órgãos adequados para o encaminhamento adequado dos casos.
“Nos seus canais oficiais, o MDHC indica vários aspectos que podem ser verificados para averiguar se uma criança ou adolescente está sendo submetido a violência dentro de casa (ver box). O mais importante nessa fase é nunca considerar um elemento de suspeita isolado. Quando uma criança é agredida, vários dos padrões identificados nos estudos existentes aparecem juntos, formando um padrão”, explica Cândido.
Alerta acendido, chega o momento de perguntar à criança ou ao adolescente o que aconteceu. Para esse momento, o MDHC possui um documento pronto e acessível: o Guia da Escuta Especializada (ver box): uma espécie de compilação de técnicas de escuta ativa e exercício de validação empática semelhante aos procedimentos aplicados pelos mediadores e conciliadores, junto ao cuidado para prevenir a revitimização. “O mais importante é que não é preciso ter certeza absoluta de que a violência doméstica ocorreu para se buscar ajuda”, salienta Arianne.
Outro aspecto relevante no momento da escuta é evitar perguntas excessivamente específicas como forma de se evitar o enviesamento. “Em vez de questionar: ‘Sua mãe ou pai bateu em você?’ é preferível perguntar: ‘Você quer me contar o que aconteceu?’”, ressalta a candidata. A jornalista acrescenta a importância de validar o que a criança ou adolescente diz. “É importante sempre agradecer, mostrar para a criança ou adolescente que a contribuição dela é muito valiosa, e que acreditamos nela”, informa.
Vencida essa etapa, é a hora de buscar os órgãos, instituições e serviços que vão viabilizar formalmente a denúncia. Arianne informa a existência de diversos meios, que não precisam ser sucessivos, ou seja: podem ser acionados aleatória e independentemente. Os mais comuns e de mais fácil acesso são o Disque 100, do MDHC, que também tem um número de whatsapp para denúncias (61 9 9961-0100), o Conselho Tutelar, unidades de saúde e as forças policiais, tanto a Militar quanto a Civil. “No caso da Polícia Civil, não precisa ser uma unidade especializada em crimes contra a criança e o adolescente”, comenta.
Para Arianne, saber o que fazer no momento de se verificar a ocorrência de abusos contra crianças e adolescentes no próprio lar das vítimas pode ser a diferença entre o salvamento de uma vida ou a continuidade de um trauma. “Estar atento aos indícios que podem surgir é muito precioso, porque esse tipo de crime é muito difícil de identificar. Afinal, a família é o círculo onde esse tipo de ato é menos esperado. A família é, na maioria dos casos, o espaço de convivência mais seguro do indivíduo. E quando ela falha é devastador”, conclui.
Traços comportamentais que indicam se uma criança é vítima de violência:
Como conversar de forma adequada com a criança ou o adolescente?